02/08/2012 00h00
Calmon arde em chamas
Habitava em Calmon, um dos dois dragões americanos engolidores das
florestas nativas, que eram abastecido por trem
ele estraçalhava quem estivesse atrapalhando seu caminho
Disseminou a dor e o flagelo ao povo sofrido, de toda a região.
O ódio cristalizou-se nas palavras dessa gente massacrada pela ganância espúria.
A violência instalou-se na vida desse povo humilde,
foram transformados em cordeiros que agora, queriam beber o sangue dos
lobos assassinos.
Só restava a eles morrer lutando pela dignidade.
Seguiram trezentas pessoas, entre mulheres e homens, destruir esse
monstro peludo.
A palavra de ordem era mortífera, acabar com os gringos e incendiar
tudo o que encontrassem.
Quando chegaram ao local, a vingança foi estendida naquele chão,
Relampejaram os facões, refletindo o sol pérfido da morte.
Como as pontas afiadas das grimpas das araucárias, espetaram os
corações dos intrusos do norte.
Ecoaram tiros, os estampidos do confronto absurdo entre seres da mesma espécie.
Mataram, saquearam e queimaram a colossal serraria dos estrangeiros,
que ardeu como um grande fogo de nó.
Mancharam-se todas as flores de vermelho,com os corpos dilacerados sobre elas.
Noutro dia, foi um banquete para as aves de rapina, que se deliciavam,
com a carne branca dos capitalistas.
• Em 5 de Setembro de 1914, na localidade de Calmon, onde ficava uma
das serrarias da Lumber, de propriedade americana, que detinha a
permissão do governo federal de explorar toda a madeira e as terras
da região. Um grupo de rebeldes, liderados por um jovem de dezessete
anos, Chico Alonso, que atacaram o local, assassinando várias pessoas
e ateando fogo nas construções do lugar.
"O povo que não cultua sua história, nunca terá importância alguma".
almirstn@gmail.com